Este blog faz parte das atividades do PROGRAMA PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA NA CONTEMPORANEIDADE – 2012, oferecido pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Os colaboradores do blog são professores que participam desse curso e que têm a intenção de “juntos” difundir à outros, o gosto pela leitura.

Depoimentos sobre leitura e escrita

Depoimentos sobre experiências com leitura e escrita, do curso
“Práticas de Leitura e Escrita na Contemporâneidade”
– 2 edição/2012 – Turma 30/Grupo 5.

Lembranças.
Por Solange Bonfim
Lembro-me quando criança que não havia muito incentivo a leitura, pois fazíamos parte de uma criação de muitos filhos criados sem pai, onde a mãe saía de madrugada e voltava ao final da tarde da roça cansada com um sorriso no rosto e um beijo caloroso. Ficávamos então com a Vó que era analfabeta e a tia que parece não ter dado prosseguimento aos estudos e casou-se cedo. Mas, pelo menos minha mãe teve a iniciativa de mandar-nos para a escola e assim cobrava-nos as tarefas feitas. E o medo e o respeito eram tanto que tentávamos fazer o melhor. Como havia muito concurso de redação, às vezes conseguia me destacar e foi em um desses concursos com o tema Hidrelétrico, que ganhei meu primeiro livro no curso primário que tinha o título de Tistu, o Menino do Dedo Verde. Era uma leitura apaixonante, mágica, pois aquele menino onde apontava o dedo tudo virava flores. Lembro-me ainda, que eu o escondia debaixo do colchão para que ninguém o pegasse e havia umas goteiras no telhado e dessa maneira eu também o protegia. Depois tomei gosto pela leitura, assim tornei-me na época colecionadora de Histórias em Quadrinhos do mundo mágico da Walt Disney e revistas Sabrina entre outras com seus romances. Hoje, não sou uma devoradora de livros, mas quando é possível eu os leio. Gosto de ler livros, muitos artigos, revistas variadas, letras de músicas e às vezes escrevo bobageiras, arquivando-as ou jogando direto para o lixo. Recomendo o livro que gosto que é Justino - O Retirante, de Odette de Barros Mott, da editora Brasiliense-Mec.

Como comecei no mundo da leitura.
Por Sidney Ornellas
Particularmente nunca fui um exemplo de estudante, era bagunceiro, desorganizado e as vezes não realizava as tarefas de casa, principalmente na disciplina de língua portuguesa que tanto tinha dificuldades, afinal, sou filho de portuguesa, minha mãe me ensinava o português de portugal e na escola aprendia o português brasileiro, era um nó na minha cabeça. Além de ter o famoso problema do “cebolinha da turma da mônica”, é... eu trocava o r pelo l, imaginem como era complicado, isso só melhorou na 5ª série.
Não era fácil minha vida de estudante, a partir da 5ª série até o último ano do colegial ocorreram tantas coisas que só me fizeram “detestar” a leitura e a escrita. Não realizava as atividades por pura preguiça em escrever os temas livres ou resumos de livros que dificilmente eram lidos, ficando muitas vezes com nota vermelha.
Demorei pra adquirir o hábito da leitura e escrita, e principalmente o gosto de ler, foi entre os meus 24 a 25 anos que se deu na minha vida a iniciação no prazer em ler. Por problemas de saúde fui obrigado ficar atrelado um ano na cama, após muita TV, rádio, game já não aquentava mais... Ah, nesta época ainda não havia internet no país e nem celular. Qual foi a solução para combater o tédio, a leitura, foi difícil, uma página por vez, o dicionário sempre ao lado,  livros pequenos com poucas páginas e bem finos.
Até que me tornei um viciado em livros, hoje leio entorno de 15 a 20 livros por ano, lembrando que não é mais os fininhos, rsrs... Gosto muito de história, religioso, filosofia, ficção e o que cair em minhas mãos, estou lendo. Hoje paro e penso, como foi bom ter ficado naquela cama tanto tempo, um mundo novo e replete de oportunidade se abriu para mim, posso afirmar que cresci em todos os aspectos como pessoa.

Experiências com leitura e escrita.
Por Zuleica Tani
Sentar na casa da fazenda da minha tia-avó, nas tardes de inverno e de verão, comendo pipoca, milho com manteiga na brasa, bolo de fubá ou bolinho de chuva... E ouvir as estripolinhas que Monteiro Lobato fazia enquanto criança, contando como foi a infância, as artes, as disputas e a imaginação que ele tinha desde cedo, foram as primeiras inspirações para o universo dos livros. As crianças se reuniram e ficávamos horas, sem perceber, nos encantando com estas tardes. Ela fazia fantoches e, com a sua habilidade em costurar e a voz mansa em falar, contava e recontava as histórias extraordinárias. Podíamos dizer que a Jovina era a própria Dona Benta.
Depois, um pouco mais para frente, os livros foram apresentados para nós que devorávamos as letras, sem entendê-las, enquanto alguém, uma tia, um primo, um avô lia os desenhos que se formavam aos nossos olhos. A coleção completa de Lobato eu li, sem desenhos, ou melhor com mais ou menos 4 desenhos por livro em preto e branco, logo que aprendi a ler. São momentos mágicos que estão na minha memória. Comprei em julho a nova edição do livro "Emília no País da Gramática" para verificar as mudanças que foram feitas para a reedição e estou encantada com os desenhos.
Além deste momento há um outro que merece destaque: quando fiz a minha primeira comunhão ganhei um livro da minha madrinha: Pollyana. Que lindo... passei a ver o lado bom e positivo das coisas, e até hoje procuro usar este ensinamento na minha vida. Meus filhos já leram e também pediram para dar de presente para amigos... Vale a pena relembrá-lo. Depois foi publicado Pollyana Moça, que, apesar de não ser tão atrativo como o primeiro também merece a leitura.

A leitura em minha vida.
Por Tatiana Monti
Olá colegas!
Meu contato com os livros, de forma apaixonante, iniciou-se por volta de meus onze anos. Eu estava na quinta série e minha professora Lúcia, de Língua Portuguesa, apresentou-me a série Vaga-lume. Foi “amor ao primeiro livro”. As aventuras vividas pelo cachorrinho Samba e pelas crianças que também faziam parte das histórias, abriram as portas para as minhas grandes “viagens”. A montanha encantada, A ilha perdida, O caso da borboleta atíria... esses e tantos outros livros jamais saíram da minha memória e contribuíram para que eu decidisse qual profissão seguir, tinha a certeza de que deveria ter contato direto com a leitura. Era muito comum, após as aulas, eu e minhas amigas ficarmos sentadas embaixo de uma árvore que hevia no pátio da escola, lendo o livro indicado pela professora. Eram momentos muito agradáveis e voltávamos para casa cheias de sonhos e fantasias. Ainda não existia celular nem computador, então somente no dia seguinte é que ficávamos sabendo até que parte do livro cada uma havia lido. Não demorávamos nem uma semana para terminar a leitura e logo já estávamos pedindo para a professora nos indicar outro livro, outras aventuras... Hoje, continuo com o hábito de ler e possuo um gosto bem eclético, leio de tudo, de ficção científica a filósofos consagrados e os livros fazem parte da minha vida. Procuro, da mesma forma que minha professora da quinta série, despertar o gosto pela leitura em meus alunos. Uma aula que eles aguardam ansiosos é aquela em que leio para eles alguns capítulos de um livro. Ficam todos em silêncio, concentrados na história. Ao final da aula, disponibilizo os livros para que eles terminem a leitura em casa e aí sim, o alvoroço “está criado”. Todos levantam correndo para pegar o livro. Decidimos o prazo para debatermos o livro em conjunto e é muito raro quando algum aluno não termina de ler após esse prazo. O resultado é um prazer contagiante!
Abraços a todos!


A importância da leitura em minha vida.
Por Rodrigo
Eu me lembro de que quando era criança, não lia muito bem! Então meu pai, me deu um gibi para que eu pudesse exercitar minha leitura. A atitude do meu pai, e o incentivo dado por ele, me fez ver como faz bem a leitura para nós. Hoje, leio com prazer e acho que para que nossas crianças tenham esse mesmo prazer que eu tenho hoje, é essencial que seus pais participem desse processo. Pois são eles a primeira referencia que os filhos possuem, e se a criança é acostumada desde cedo com a leitura, consequentemente, ela será um adulto que tenha o costume de ler. Nós vemos hoje, em nossas escolas, muitas crianças com bastantes dificuldades na leitura, e isso é muito grave. No entanto, sabemos que em casa, elas não têm essa referência leitora que citei. Então se começarmos a incentivar que esses pais tenham a consciência que dando para seu filho um gibi, um livro ou até mesmo pedindo que ele o auxilie de alguma forma, lendo um jornal ou uma bíblia ou as contas de sua casa, estará ajudando no desenvolvimento de um bom leitor. E que esse leitor possa futuramente apreciar um bom livro e carregar essa cultura leitora na sua vida adulta. Eu me lembro do primeiro livro que li, eu peguei ele na biblioteca da escola, era de um detetive que estava investigando um crime. Ele estava em busca de um estrangulador que gostava de estrangular mulheres. Na época, acho que tinha uns onze anos, e não via a hora de descobrir quem era o tal estrangulador. Fiquei horas e horas lendo o livro, até acaba-lo. Foi muito bom quando terminei e descobri quem era o estrangulador. Depois, já comecei a ler outro. Acho que é isso que devemos fazer para atrair o interesse dos nossos alunos. Porque hoje, estamos em desvantagem com o que eles têm para se distrair, e se quisermos fazer com que eles sejam bons leitores, temos que trazer o mundo deles para sala de aula, e tentarmos contemplar essas ferramentas ao nosso material pedagógico.

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