Este blog faz parte das atividades do PROGRAMA PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA NA CONTEMPORANEIDADE – 2012, oferecido pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Os colaboradores do blog são professores que participam desse curso e que têm a intenção de “juntos” difundir à outros, o gosto pela leitura.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Todas as Vidas

Cora Coralina
(1889 - 1985)

Vive dentro de mim 
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando pra o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...
Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho,
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de são-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
– Enxerto da terra,
meio casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos.
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo alegre seu triste fado.
Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida –
a vida mera das obscuras.
Quando a leitura entrou na minha vida 
                                                                  Por Susane Fernandes


Ao lembrar- me de minha infância, recordo- me de que aos cinco anos de idade, minha irmã trabalhava na época chamado de pré, ao ver ela sair chorava muito, pois queria ir com ela, a vontade de ir para a escola era tão grande, de aprender a ler e a esvrever. No entanto minha minha mãe resolveu colocar- me no pré, ao ir para a escola realizava- me, pois era tudo o que eu queria.
Ao entrar na primeira série chamada na época, já sabia ler e escrever meu nome e sobrenome, lembro- me até hoje da professora Helena, uma grande profisssional que admiro muito,afinal a primeira professora é inesquecível, foi com ela que aprendi a ler e escrever as primeiras frases e textos curtos com autonomia. E toda semana escutavamos algum texto que ela lia para a toda a sala, como incentivo a leitura.
Um fato que marcou muito nos primeiros contatos com a leitura, foi que eu adorava sair com a minha mãe , só para ler os letreiros dos onibus, sentia- me feliz,realizada ao conseguir ler o letreiro.
Folheava livros e mais livros, pois adorava brincar de escolhinha, escrever na lousa que ganhei ainda criança , enfim desde já já identificava- me com a profisssão. Por isso hoje não só como professora mas também como uma leitora incentivo os meus alunos ao gosto pela leitura, afinal para os mesmos ter o hábito e o gosto pela leitura é necessário que comecem e ler o que é ce seu interesse, pode- se afirmar que a leitura é de suma importância e que está por toda parte e ao nosso redor, lembando também da leitura de mundo.
Nas minhas aulas procuro ler diferentes tipos de textos para os meus alunos para que assim além de mediar também estimular o gosto pela leitura.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Meu Relato

No primeiro instante, quando tomei conhecimento deste curso no site Rede do Saber, acreditei ser um curso exclusivamente para os professores de língua portuguesa, como não havia nenhuma restrição aos professores de outras disciplinas, fiz a minha inscrição.

O curso é intenso, com muitos textos, fóruns, exercícios, atividades, ufa... Quanta coisa, mais tudo é necessário para ter uma compreensão maior das várias formas de leitura e escrita. E o melhor é poder melhor uso das várias formas e de estilos na escrita.

Particularmente o melhor foi à realização de atividades que aprimoraram o nosso manuseio digital, principalmente o desenvolvimento do blog coletivo, onde todos aprendem com todos, ou seja, os mestres aprendem com os alunos e os alunos ensinam os mestres. Isso demonstra que podemos montar um blog com os nossos alunos, sendo este um blog da sala, ou da escola, ou por disciplina...

Outro ponto relevante é a amizade com os afins, digo afins, pois sempre temos pessoas que mantemos um relacionamento maior de amizade, mas no contexto geral o bom relacionamento com todos os alunos é digno de parabéns a todos os colegas.

Relato Reflexivo:


Por Susane Fernandes

Ao começar a participar do curso Práticas de Leitura e Escrita na Contemporaneidade – Leitura e Escrita em Contexto Digital, confesso que a princípio fiquei preocupada, insegura, pois é o primeiro curso que faço online, mas ao começar a fazer as atividades comecei a gostar, tive muitas dificuldades principalmente ao fazer postagem no blog, postar no lugar certo, mas o colega de grupo o Sidnei ajudou bastante foi de suma importância e estava sempre disposto a ajudar, a sanar as possíveis dúvidas e dificuldades. Participar desse curso foi muito importante, pois se percebe que tem como objetivo o aperfeiçoamento tanto pessoal quanto profissional.

As técnicas para a montagem dos diversos tipos de texto (crônica, conversa telefônica, notícia...) enfim ajudará no dia a dia em sala de aula, será tão produtiva quanto foi no meu grupo.

A interação do grupo foi fundamental. E por fim gostaria que o nosso blog continuasse mesmo com o término do curso.

Abraços

A vida.

Um Cadáver Sortudo

Por Susane Fernandes


           A madrugada ia passando e Carla se deparava em um quarto silencioso, frio, escuro na qual temia em ficar sozinha, pois a mesma perdera o sono na calada da noite, por alguns minutos, segundos ou até mesmo por horas Carla cochila....tempos depois acordara e lentamente abre os olhos ao olhar no relógio de cabeceira são 3:00 da madrugada, mesmo com medo decidi levantar-se e vai ao banheiro escovar os dentes, lava o rosto com aquela água gelada que representava o seu medo de ficar sozinha, de repente ouve a campainha da porta tocar, enxuga- se as pressas e sai do banheiro. Morava em um sobrado e ao sair do banheiro andando pelo corredor escuro pois acabara a energia elétrica, ao descer as escadas, a cada passo de um degrau não sabia o que a esperava! Caminhando até a porta olha pelo olho mágico e nenhum movimento de pessoas! apenas a rua deserta, muito vento e a chuva caindo. Mesmo não sabendo quem era, destranca a fechadura e abre a porta, no entanto vê um homem caído na soleira e todo molhado...é quando ela diz: O que é isso, que pergunta é claro que só poderia ser um cadáver neh ou ela achou que seria um ator que tocava a campainha pra ensaiar uma peça teatral?
        Quando percebe que se deparava com um cadáver a sua porta Carla desmaia... Minutos depois acorda e sem saber o que fazer chora, chora, chora, como se o choro pudesse ressuscitar o morto, quando Carla para de chorar percebe que ela é a única pessoa que pode ajudar o cadáver apesar de não ter mais vida, corre o olhar em torno e constata que não há ninguém para ajuda-la, abaixa-se e toca o homem com os dedos que está todo ensanguentado sente que o corpo está frio e rígido ainda assim verifica sua pulsação e nada consta pois já não tem mais vida, foi- se dessa para melhor ou para pior, ou seja, percebe que é um cadáver, Carla corre para o telefone rapidamente e disca 190 da central de policia, e avisa que há um cadáver na sua porta, os policiais manda uma viatura para o local para averigua se realmente o homem está morto o mesmo é constatado e sem documento de identificação o homem será sepultado como indigente, Carla espera sentada ao lado do cadáver o carro do IML chegar, o carro chega e ao levar o cadáver Carla acompanha e se responsabiliza pelo cadáver para que o mesmo tenha um sepultamento digno.

E CADÁVER SORTUDO HEIM...


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Relato reflexivo


Este texto é um relato referente ao curso realizado


A Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo propiciou aos professores o curso Práticas de Leitura e Escrita na Contemporaneidade – Leitura e Escrita em Contexto Digital Participar desse curso on-line foi gratificante. Como professora de Língua Portuguesa, praticamente todo o conteúdo trabalhado durante o curso pode ser utilizado em minhas aulas. A técnica utilizada para a montagem dos diversos tipos de texto (crônica, conversa telefônica, notícia...) oferecendo fatos iguais para a produção de textos diferentes, eu já coloquei em prática e foi tão produtivo quanto pude perceber no meu grupo. Meus conhecimentos foram aprofundados numa área que parecia distante. Jamais imaginei que um dia fosse capaz de participar da montagem de um blog. Escrever o texto para ser publicado no blog não foi difícil, mas tive algumas dificuldades na hora de encontrar o lugar certo para a postagem. Ainda bem que o Sidnei, meu colega de grupo, estava lá para ajudar.

Outro ponto muito positivo foi o de estar como aluna, invertendo os papéis. Isso foi bom porque me fez repensar algumas situações do meu dia a dia. Espero ser para os meus alunos o ponto de apoio que a tutora foi para nós, cursistas. Tive sorte, meu grupo foi extremamente unido.

Não houve uma dúvida que ficou sem solução, tanto por parte da tutora quanto dos colegas de grupo, e gostaria muito que o nosso blog continuasse mesmo com o término do curso, será uma forma de mantermos o contato.

Abraços,
Tati

Conviver é aprender

Estamos na reta final de um curso destinado a ler e escrever. Como tarefa final o nosso relato. É nesse instante que respiramos profundamente, olhamos para estas últimas semanas e refletimos aquilo que foi realizado.


Primeiramente um sentimento de saudades já se aproxima. Como pode, em tão pouco tempo percebemos a falta de alguém que antes nem sequer conhecíamos? Mistérios da nossa alma...


Depois vem o sentimento de realização. Quando fiz a matrícula no curso criei a expectativa de que o curso seria focado nos meus alunos, na prática de ensino voltados para o que eles iriam fazer. Qual foi o meu espanto ao perceber que o curso estava voltado para mim, leitora assídua, devoradora de textos; e que precisa re-aprender a leitura e escrita!


Quantas informações novas, quantos caminhos a serem percorridos por mim, em primeiro lugar, e depois repassados para os alunos e para quem quiser perceber.


Ler e escrever é uma alegria, um prazer. Como passar este sentimento para os outros?


Foram semanas intensas de novidades, criatividade e... amizades. Fortalecidas com os debates realizados por escrito (afinal este curso foi totalmente online) nos fóruns, quantas maneiras novas de pensar e de escrever. Como pedir desculpas por apontar um erro do nosso amigo, lá do outro lado da "telinha", sem poder usar o olhar, as mãos, o abraço, a palavra?... Um grande desafio praticado e transposto com a ajuda de todos, da cooperação do grupo e da união virtual do pensamento.


Cabe o gostinho de "quero mais" que será representado pelo convite feito nas considerações finais deste curso que, desde já, aceito e reforço para, quem sabe, podermos participar da próxima turma, juntos, novamente, ou em grupos diferentes, mas sempre dispostos a aprender e crescer.


Para finalizar deixo aqui meus agradecimentos a todos, os explícitos e implícitos organizadores deste curso, os meus novos amigos virtuais, e o convite, para continuarmos com os nossos blogs, cheios de emoção, compreensão e união.


"Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas" O Pequeno Príncipe"


Um beijo carinhoso.


Zuleica.



domingo, 18 de novembro de 2012

Relato reflexivo sobre o curso Leitura e Escrita em Contexto Digital.


Antes de começar o curso, tive um grande entrave que foi como iniciá-lo sem um computador disponível (o meu resolveu travar  duas semanas antes, calando os meus pensamentos). Pensei então em desistir. Mas, como sempre enxergo novas possibilidades de crescimento e ampliação de estudos para aperfeiçoamento em meu trabalho, aquilo ficou martelando em minha cabeça. Finalmente consegui um note emprestado e decidi faltar ao trabalho no dia seguinte, pois teria que concluir o módulo um e era o último dia para entrega das tarefas, fiquei descadeirada. Logo ao iniciar o curso, fiquei preocupada, pois achava tudo meio difícil e faltava-me habilidade em escrever. Depois fui gostando, e só pensava em concluir as tarefas impostas. Todo  dia pensava: tenho que abrir a página do meu curso, ler os textos, respondê-los e interagir com os amigos. E que amigos, pois mesmo  virtualmente, consegui conhecê-los um pouquinho através de suas publicações e sempre através do incentivo das tarefas pelo grupo. Ah, e a construção do blog foi uma atividade que me deixou muito orgulhosa, pois mesmo ainda com dificuldades, adorei como ele foi construído (ainda bem que o Sidnei foi o salvador do nosso grupo, pois com sua experiência, ajudou-nos a concluir essa tarefa).

Vejo o curso como um aperfeiçoamento pessoal e profissional. Coisas diferentes andaram rondando minha cabeça e sempre que podia, ia até a biblioteca, assistia a vídeos, pesquisava em diferentes sites, discutia com professores da minha escola sobre as características de textos, relacionando-as aos gêneros e demais elementos do contexto de produção, fiz minha filha ler meu depoimento e ela então conseguiu resgatar um pouco do meu passado e me colocou na parede, com outras perguntas relacionadas ao texto. Os colegas de trabalho viviam me perguntando sobre o curso, como consegui fazer minha inscrição e prometer que quando souber que vai abrir inscrição para um novo, não deixar de avisá-los. Chegava à sala dos professores e comentava próximo aos professores de Língua Portuguesa sobre Bakhtin, gêneros, construção de crônica e assim iniciávamos uma pequena discussão. Sai da rotina e pude então passar a conviver em mundo nunca imaginado e que prazer ao conhecê-lo. Tive uma mudança de postura que era passiva e comecei a ficar inquieta. Até livros de Filosofia, andei bisbilhotando.

Aprendi que o livro é o elemento indispensável ao processo de ensinar e aprender e quando conseguimos que o nosso aluno tenha essa visão, estamos colaborando para erradicar o analfabetismo, incluindo o mesmo como cidadão mais crítico, desafiador e construtor de conhecimentos. E a internet quando usada como fonte de consulta e formação, possibilita que múltiplas informações e visões sobre um mesmo assunto passam ser acessadas por todos. Agora, vamos falar da Carol, nossa tutora, com o seu olhar crítico me fez rever uma tarefa sobre gêneros duas vezes, me obrigando a pesquisar mais, mais e mais e assim também dessa forma, aprendi e refleti um pouco mais, entendendo que esse é o seu papel de mediadora de conhecimentos para a construção e aperfeiçoamento da minha formação. Tenho vontade de continuar o nosso blog sonho da leitura, pois podemos trocar mais experiências e não perderemos o contato entre nós. Obrigada a todos e que Deus nos dê muita saúde e perseverança para alcançarmos uma nova jornada em 2013.

Felicidades e sucessos.

“As novas descobertas nos levam a abandonar o hábito e a livrar-se de temores e preconceitos”. Editora Nova Fronteira.

sábado, 10 de novembro de 2012

Não me peçam razões...

Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quanto a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

José Saramago, in “Os Poemas Possíveis”


domingo, 4 de novembro de 2012

Construção de Crônicas

Caro leitores, os textos a seguir, são crônicas fictícias
e fazem parte da atividade proposta pelo curso: 
“Programa Práticas de Leitura e Escrita na Contemporaneidade”
2ª edição/2012.


Cada aluno tem por finalidade a construção de uma crônica com objetivos bem determinados em sua produção, com elementos constituintes do respectivo gênero textual. Os textos foram dispostos por ordem de publicação; vejamos agora o estilo de cada cursista:




Um cadáver na minha porta.

Acordei com o despertador, lavei o rosto e ouvi a campainha.
Espere aí! Morto não toca campainha... Quem será que tocou? Ou o morto morreu naquela hora, ali, coladinho na minha porta?
Ai, ai... Mas voltando a retrospectiva...
Atendi a porta. Vi o defunto e... Entrei em PÂNICO: gritei, pulei, chorei, andei em círculos e formei um buraco no meio da sala. Tapei o buraco, respirei fundo, me acalmei e fiz a única coisa lógica até então: chamei a polícia. Acho que tudo isso demorou uns... 500 minutos, mais ou menos...
Bem, o jeito é esperar... Acho que vou tomar um banho... O morto não vai sair de lá mesmo...
Ah... Olha a sirene da polícia. Vou abrir a porta e...
Quase morri do coração: do lado de fora a minha turma agrupada gritando Halloween...
Não deu outra...
Entrei em PÂNICO: gritei, pulei, chorei, andei em círculos e formei um buraco no meio da sala. Tapei o buraco, respirei fundo e sai correndo feito louca, com uma vassoura na mão, atrás dos meus amigos engraçadinhos...
Por Zuleica Tani


Rotina.

Acordara mais cedo naquele dia, antes mesmo do relógio despertar. Ficara alguns minutos deitada, olhando os números do relógio mudar até que resolveu levantar-se. Como de costume, foi ao banheiro lavar o rosto e escovar os dentes.
Foi nesse momento que ouviu a campainha da porta tocar. Quem seria àquela hora da manhã? Tão cedo! Caminhou até a porta e perguntou quem era. Não houve resposta. Olhou pelo olho mágico e não enxergou ninguém. Deve ter sido uma das crianças do apartamento vizinho, só “de farra”, pensou. Resolveu abrir a porta e levou um susto: havia um homem caído no tapete da entrada. Estava de terno, limpo, parecia ser pessoa de bem. Resolveu checar a pulsação, não havia nenhuma e o corpo parecia enrijecido. Se estiver assim, a morte deveria ter ocorrido há algum tempo. Ficou em pânico, sem saber o que fazer. Como uma coisa dessas estava acontecendo com ela, uma pessoa metódica e perfeccionista, que valorizava tanto a rotina? Foi a passos bambos, cambaleando até o telefone. Discou 190. Jamais imaginou que um dia discaria esse número. Uma voz impessoal atendeu. Sem saber como começar o chamado, perguntou quem estava falando. Que idiota isso agora não tem importância! Resolveu ir direto ao assunto: “acabei de encontrar um homem morto na porta do meu apartamento e não sei o que fazer...” O policial perguntou se era alguma brincadeira de mau gosto, ao que ela respondeu que não era uma pessoa desse tipo, que brinca com coisa séria. O policial pediu então a identificação e o endereço dela, informou que estava enviando uma viatura e desligou. Ainda com o fone na mão, deu uma olhada na direção da porta e levou um susto: o homem estava de barriga para cima e ela tinha quase certeza de que, quando abrira a porta, ele estava de bruços. Um arrepio percorreu a sua espinha. O que seria aquilo tudo, meu Deus?! Sentou-se na poltrona para esperar pela polícia sem desgrudar os olhos da porta. Estava suando frio e o coração palpitava. Respirou fundo e tentou se acalmar, não deu certo. Olhou para o relógio da parede: seis e vinte da manhã. Ouviu o barulho do elevador e levantou-se. Foi até a porta, escutou alguns passos e novamente o barulho da porta do elevador. Seria possível alguém passar pelo cadáver e entrar no elevador sem notá-lo?

Voltou a sentar-se. Mais dez minutos e novamente o barulho do elevador e de passos, dessa vez vinham na sua direção. Um homem uniformizado parou em frente a porta e chamou-a pelo nome: “Senhora Lúcia?”. Ela fez um gesto afirmativo com a cabeça. Os cabelos compridos balançaram também. Ficaram, por alguns instantes, se olhando fixamente. Ela então explicou o que havia acontecido e pulou, de propósito, a parte sobre a posição do corpo. O policial examinou o homem e constatou, na mão do morto, uma nota de dólar amassada. Era a mesma situação do crime cometido no mês anterior e que a investigação provou ser queima de arquivo. Retirou o telefone do bolso e passou algumas instruções para a retirada do cadáver. Quando desligou, pulou por cima do cadáver em direção à Lúcia. Ela já nem lembrava mais do morto. O cheiro da loção de barba daquele homem era inebriante, delicioso e os olhos, meu Deus!...

Parecia que ela causava a mesma boa impressão nele, que não retirava os olhos (lindos) dela. Ofereceu a ele uma xícara de café e começaram a conversar. O tempo passou e eles nem perceberam. Quando o telefone dele tocou, chamando-o de volta à delegacia, ela o acompanhou até a porta. Os dois nem se deram conta de que o corpo já não estava mais lá, se despediram e ele foi embora, com o telefone de Lúcia anotado em sua agenda e o coração carregado de sonhos. Para Lúcia, um dia que parecia ter sido um verdadeiro horror, prometia coisas muito boas...
Por Tatiana Monti


Alô, em que posso ajudar?

Abre os olhos, consulta o relógio de cabeceira são 8 da manhã, hora de levantar. Levanta-se e vai ao banheiro, escova os dentes, lava o rosto, ouve a campainha.

Quem será a está hora?  Será cobrança, será testemunha de Jeová, ou será meu cunhado aquele folgado? Caminha até a porta, olha na fechadura, abre a porta, vê um homem caído.  Corre o olhar em torno, constata que não há mais ninguém no corredor. Abaixa-se, toca o homem com os dedos, sente que o corpo está frio e rígido, percebe que é um cadáver, corre para o telefone e disca o número da central da polícia. No entanto, ele não sabia que precisaria de muita paciência para que mandassem um policial verificar a ocorrência. Alô! Bom dia, em que posso ajudar? Alô, aqui é Manoel, tem um cadáver em minha porta. Como? Um cadáver! E como ele esta? Morto. E como o senhor sabe? Porque ele está frio e rígido. Tudo bem, me passa seu endereço, por favor. O endereço é... Tutututututututututu caiu à linha. Manoel liga novamente: Alô, em que posso ajudar? Aqui é o Manoel, tem um cadáver em minha porta. E como ele esta? Morto. Como o senhor sabe? Porque ele está frio e rígido. Tudo bem, me passa o endereço do senhor, então. Meu endereço é Rua Antônio...

Tutututututututututu. Mais Uma vez cai a linha. E novamente, Manoel tenta ligar para a polícia, e isso se repetiu por mais umas dez vezes, até que ele se enfezou de vez: Alô, em que posso ajudar? Vai se lascar, estou tentando falar que tem uma “porra” de cadáver na minha porta há horas, e você não vem aqui retirá-lo, parece atendente de telemarketing, que quando queremos cancelar algo, leva horas para nos atender. Eu tenho que trabalhar. Já estou cansando de responder a mesma coisa sempre. Agora sabe o que você faz seu “corno”? Liga ai à televisão e vê onde tem um corpo perdido.


Minutos depois, sai à notícia em todos os noticiários de televisão:

 CORPO É ENCONTRADO NA PORTA DA DELEGACIA COM UM ANÚNCIO: “ESTOU MORTO, E QUERIA SABER SE ALGUÉM PODE ME AJUDAR”?
Por Rodrigo


O cadáver e a casca de banana.

A manhã estava quente e aquele jovem adormeceu em cima de muitos livros em sua escrivaninha. Acordou assustado com o barulho do despertador e bem sonolento, foi ao banheiro escovar os dentes, passou uma ligeira água em seu rosto. Foi até a cozinha e sem coragem para fazer um cafezinho, restou-lhe como opção tomar café requentado, pois estava morto de cansaço de tanto estudar. Pegou sua mochila, observou o relógio, percebeu que estava um pouco atrasado. Destrancou a porta e ao abri-la, leva um grande susto. Ficou branco, pálido, o coração disparado, começou a tremer e sem entender, olhou incrédulo aquele homem deitado bem próximo de sua porta, de expressão fria, olhar parado em cima de seu rosto. Perguntou-lhe então:
– O senhor está bem? Como ninguém responde, resolveu tocá-lo e, ao sentir o corpo daquele homem frio começou a gritar. O grito chamou a atenção de seus vizinhos que resolveram ver o que estava acontecendo. Entrou novamente em seu apartamento e ligou para a polícia. E todos perguntavam o que havia acontecido. Ao sair, não sabia responder. Constrangido, meio atrapalhado, lembrou que tinha que dar um jeito de sair dali rapidamente, pois sua prova começava em 10 minutos e ainda tinha que pegar um ônibus para chegar ao colégio. Não podia esperar a chegada da polícia, afinal tinha exames em outras duas matérias e apesar de sentir muita compaixão por aquele homem, nada mais podia fazer para ajudá-lo. Resolveu então sair de fininho para que ninguém achasse que o culpado fosse ele, afinal só conheceu aquele homem naquele momento, nada sabia dele, nem muito menos como foi parar em sua porta. Resolveu então correr e sem perceber escorregou em uma casca de banana, machucando o cotovelo e a perna. Sentido fortes dores a polícia chega e o interroga, não podendo mais fugir daquela situação. Apesar de muito assustado, ficou chateado, porque perdeu a oportunidade de fazer sua prova. É conduzida a delegacia para maiores esclarecimentos, pois pensavam que estava fugindo. Coitado. Que manhã difícil.
Por Solange Bomfim


O perigo de ajudar.

Após uma noite de insônia, Antonio abre seus olhos depois de um pequeno cochilo, verifica as horas no relógio de cabeceira e decide levantar-se, afinal já eram seis da manhã duma segunda-feira e tinha que trabalhar, segue rumo ao banheiro, olhando-se ao espelho reparando nas suas olheiras de uma noite mal dormida. Ele escova os dentes e lava o rosto.


Neste momento a campainha é tocada insistentemente, ele pega a toalha de rosto e segue rumo à porta, ao mesmo tempo a campainha silenciou-se, olha pelo visor da porta e não vê ninguém, passa a mão na tranca e a destrava, abrindo-a leva um susto, um homem caído de bruços em sua soleira, rapidamente dá uma olhada para os lados e constata que não há ninguém no corredor do andar. Abaixa-se é toca o homem, descobre que é seu vizinho da esquerda, o senhor José Almeida e sente um molhado em sua mão direita, quando a vê, ela está completamente vermelha, era sangue. O seu José Almeida estava esfaqueado no abdômen, Antonio retira a faca do corpo e a deixa cair ao chão, sem poder fazer mais nada para ajudar o seu vizinho, pois este já era um cadáver. Antonio levanta e limpa a mão ensanguentada na toalha de rosto, corre para o telefone e disca para a central da polícia, após duas horas de muita confusão.


Antonio Matta estava sentado na frente do delegado, sendo acusado de assassinato.
Por Sidnei Ornellas

sábado, 3 de novembro de 2012

Crônica: O perigo de ajudar.

Após uma noite de insônia, Antonio abre seus olhos depois de um pequeno cochilo, verifica as horas no relógio de cabeceira e decide levantar-se, afinal já eram seis da manhã duma segunda-feira e tinha que trabalhar, segue rumo ao banheiro, olhando-se ao espelho reparando nas suas olheiras de uma noite mal dormida. Ele escova os dentes e lava o rosto.

Neste momento a campainha é tocada insistentemente, ele pega a toalha de rosto e segue rumo à porta, ao mesmo tempo a campainha silenciou-se, olha pelo visor da porta e não vê ninguém, passa a mão na tranca e a destrava, abrindo-a leva um susto, um homem caído de bruços em sua soleira, rapidamente dá uma olhada para os lados e constata que não há ninguém no corredor do andar. Abaixa-se é toca o homem, descobre que é seu vizinho da esquerda, o senhor José Almeida e sente um molhado em sua mão direita, quando a vê, ela está completamente vermelha, era sangue. O seu José Almeida estava esfaqueado no abdômen, Antonio retira a faca do corpo e a deixa cair ao chão, sem poder fazer mais nada para ajudar o seu vizinho, pois este já era um cadáver. Antonio levanta e limpa a mão ensanguentada na toalha de rosto, corre para o telefone e disca para a central da polícia, após duas horas de muita confusão.

Antonio Matta estava sentado na frente do delegado, sendo acusado de assassinato.

Crônica: O cadáver e a casca de banana.

A manhã estava quente e aquele jovem adormeceu em cima de muitos livros em sua escrivaninha. Acordou assustado com o barulho do despertador e bem sonolento, foi ao banheiro escovar os dentes, passou uma ligeira água em seu rosto. Foi até a cozinha e sem coragem para fazer um cafezinho, restou-lhe como opção tomar café requentado, pois estava morto de cansaço de tanto estudar. Pegou sua mochila, observou o relógio, esta um pouco atrasado. Destrancou a porta e ao abri-la, leva um grande susto. Ficou branco, pálido, o coração disparado, começou a tremer e sem entender, olhou incrédulo  aquele homem deitado bem próximo de sua porta, de expressão fria, olhar parado em cima de seu rosto. Perguntou-lhe então: - O senhor está bem? Como ninguém responde, resolveu tocá-lo e, ao sentir o corpo daquele homem frio começou a gritar. O grito chamou a atenção de seus vizinhos que resolveram ver o que estava acontecendo. Entrou novamente em seu apartamento e ligou para a polícia. E todos perguntavam o que havia acontecido. Ao sair, não sabia responder. Constrangido, meio atrapalhado, lembrou que tinha que dar um jeito de sair dali rapidamente, pois sua prova começava em 10 minutos e ainda tinha que pegar um ônibus para chegar ao colégio. Não podia esperar a chegada da polícia, já que estava de exame em outras duas matérias e apesar de sentir muita compaixão por aquele homem, nada mais podia fazer para ajudá-lo. Resolveu então sair de fininho para que ninguém achasse que o culpado fosse ele, afinal só conheceu aquele homem naquele momento, nada sabia dele, nem muito menos como foi parar em sua porta. Resolveu então correr e sem perceber escorregou em uma casca de banana, machucando o cotovelo e a perna. Sentido fortes dores a polícia chega e o interroga, não podendo mais fugir daquela situação. Apesar de muito assustado, ficou chateado, porque perdeu a oportunidade de fazer sua prova. É conduzido a delegacia para maiores esclarecimentos, pois pensavam que estava fugindo. Coitado. Que manhã difícil.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Crônicas: Alô, em que posso ajudar?

Abre os olhos, consulta o relógio de cabeceira são 8 da manhã, hora de levantar. Levanta-se e vai ao banheiro, escova os dentes, lava o rosto, ouve a campainha. Quem será a está hora?  Será cobrança, será testemunha de Jeová, ou será meu cunhado aquele folgado? Caminha até a porta, olha na fechadura, abre a porta, vê um homem caído.  Corre o olhar em torno, constata que não há mais ninguém no corredor. Abaixa-se, toca o homem com os dedos, sente que o corpo esta frio e rígido, percebe que é um cadáver, corre para o telefone e disca o número da central da polícia. No entanto, ele não sabia que precisaria de muita paciência para que mandassem um policial verificar a ocorrência. Alô! Bom dia, em que posso ajudar? Alô, aqui é Manoel, tem um cadáver em minha porta. Como? Um cadáver! E como ele esta? Morto. E como o senhor sabe? Porque ele está frio e rígido. Tudo bem, me passa seu endereço, por favor. O endereço é... Tututututututu caiu a linha.
Manoel liga novamente: Alô, em que posso ajudar? Aqui é o Manoel, tem um cadáver em minha porta. E como ele esta? Morto. Como o senhor sabe? Porque ele está frio e rígido. Tudo bem, me passa o endereço do senhor, então. Meu endereço é Rua Antônio... Tututututututu.
Mais Uma vez cai a linha. E novamente, Manoel tenta ligar para a polícia, e isso se repetiu por mais umas dez vezes, até que ele se enfezou de vez: Alô, em que posso ajudar? Vai se lascar, estou tentando falar que tem uma “porra” de cadáver na minha porta há horas, e você não vem aqui retirá-lo, parece atendente de telemarketing, que quando queremos cancelar algo, leva horas para nos atender. Eu tenho que trabalhar. Já estou cansando de responder a mesma coisa sempre. Agora sabe o que você faz seu “corno”? Liga ai à televisão e vê onde tem um corpo perdido.
Minutos depois, sai à notícia em todos os noticiários de televisão:

CORPO É ENCONTRADO NA PORTA DA DELEGACIA COM UM ANÚNCIO: “ESTOU MORTO, E QUERIA SABER SE ALGUÉM PODE ME AJUDAR”?

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Crônica: Rotina.

Acordara mais cedo naquele dia, antes mesmo do relógio despertar. Ficara alguns minutos deitada, olhando os números do relógio mudarem até que resolveu levantar-se. Como de costume, foi ao banheiro lavar o rosto e escovar os dentes. Foi nesse momento que ouviu a campainha da porta tocar.
Quem seria àquela hora da manhã? Tão cedo! Caminhou até a porta e perguntou quem era. Não houve resposta. Olhou pelo olho mágico e não enxergou ninguém. Deve ter sido uma das crianças do apartamento vizinho, só “de farra”, pensou. Resolveu abrir a porta e levou um susto: havia um homem caído no tapete da entrada. Estava de terno, limpo, parecia ser pessoa de bem. Resolveu checar a pulsação, não havia nenhuma e o corpo parecia enrijecido. Se estava assim, a morte deveria ter ocorrido há algum tempo.
Ficou em pânico, sem saber o que fazer. Como uma coisa dessas estava acontecendo com ela, uma pessoa metódica e perfeccionista, que valorizava tanto a rotina? Foi a passos bambos, cambaleando até o telefone. Discou 190. Jamais imaginou que um dia discaria esse número. Uma voz impessoal atendeu. Sem saber como começar o chamado, perguntou quem estava falando. Que idiota, isso agora não tem importância! Resolveu ir direto ao assunto: “acabei de encontrar um homem morto na porta do meu apartamento e não sei o que fazer...” O policial perguntou se era alguma brincadeira de mau gosto, ao que ela respondeu que não era uma pessoa desse tipo, que brinca com coisa séria. O policial pediu então a identificação e o endereço dela, informou que estava enviando uma viatura e desligou. Ainda com o fone na mão, deu uma olhada na direção da porta e levou um susto: o homem estava de barriga para cima e ela tinha quase certeza de que, quando abrira a porta, ele estava de bruços. Um arrepio percorreu a sua espinha. O que seria aquilo tudo, meu Deus?! Sentou-se na poltrona para esperar pela polícia sem desgrudar os olhos da porta. Estava suando frio e o coração palpitava. Respirou fundo e tentou se acalmar, não deu certo. Olhou para o relógio da parede: seis e vinte da manhã. Ouviu o barulho do elevador e levantou-se. Foi até a porta, escutou alguns passos e novamente o barulho da porta do elevador. Seria possível alguém passar pelo cadáver e entrar no elevador sem notá-lo? Voltou a sentar-se. Mais dez minutos e novamente o barulho do elevador e de passos, dessa vez vinham na sua direção. Um homem uniformizado parou em frente a porta e chamou-a pelo nome: “Senhora Lúcia?”. Ela fez um gesto afirmativo com a cabeça. Os cabelos compridos balançaram também. Ficaram, por alguns instantes, se olhando fixamente. Ela então explicou o que havia acontecido e pulou, de propósito, a parte sobre a posição do corpo. O policial examinou o homem e constatou, na mão do morto, uma nota de dólar amassada.
Era a mesma situação do crime cometido no mês anterior e que a investigação provou ser queima de arquivo. Retirou o telefone do bolso e passou algumas instruções para a retirada do cadáver. Quando desligou, pulou por cima do cadáver em direção à Lúcia. Ela já nem se lembrava mais do morto. O cheiro da loção de barba daquele homem era inebriante, delicioso e os olhos, meu Deus!... Parecia que ela causava a mesma boa impressão nele, que não retirava os olhos (lindos) dela. Ofereceu a ele uma xícara de café e começaram a conversar.
O tempo passou e eles nem perceberam. Quando o telefone dele tocou, chamando-o de volta à delegacia, ela o acompanhou até a porta. Os dois nem se deram conta de que o corpo já não estava mais lá, se despediram e ele foi embora, com o telefone de Lúcia anotado em sua agenda e o coração carregado de sonhos. Para Lúcia, um dia que parecia ter sido um verdadeiro horror, prometia coisas muito boas...

terça-feira, 30 de outubro de 2012

CRÔNICA: UM CADÁVER NA MINHA PORTA

Devia ser mais um dia comum, de uma pessoa comum... De uma manhã comum... Exceto pelo cadáver em frente à minha porta!!!

Como isso pode acontecer comigo? Justo comigo? Uma pessoa que nem lê os jornais, nem vê telejornais exatamente para não saber das coisas violentas que acontecem no cotidiano desta cidade, não tão comum assim...

E o relógio? Parece que parou... Quanto tempo faz que liguei para a central de polícia? Duas horas? Uma hora? Não, apenas cinco minutos se passaram.

O que devo fazer? Ficar olhando para o defunto para ver o que ele faz? Bobagem! Fugir é que não vai... E se algum vizinho passar e ver? Vão chamar a polícia, achar que eu matei... Acho que vou colocá-lo para dentro de casa.

Abro a porta em um impulso. Fico com medo de olhar. Uma voz interior avisa: é melhor não mexer em nada, vai que tem digitais....Pior ainda: e se o morto se levanta? Ai, ai... Que medo. 

Dou uma olhada de relance e vejo: ora, ora, até que o rosto é bonito; um pouco pálido, talvez, mas é bonito. Como posso achar bonito um morto? Tudo bem! Vamos pensar: o que eu fiz até aqui?

Acordei com o despertador, lavei o rosto e ouvi a campainha.

Espere aí! Morto não toca campainha... Quem será que tocou? Ou o morto morreu naquela hora, ali, coladinho na minha porta???

Ai, ai... Mas voltando a retrospectiva...

Atendi a porta. Vi o defunto e... entrei em PÂNICO: gritei, pulei, chorei, andei em círculos e formei um buraco no meio da sala. Tapei o buraco, respirei fundo, me acalmei e fiz a única coisa lógica até então: chamei a polícia. Acho que tudo isso demorou uns... 500 minutos, mais ou menos...

Bem, o jeito é esperar... Acho que vou tomar um banho... o morto não vai sair de lá mesmo...

Ah... olha a sirene da polícia. Vou abrir a porta e...

Quase morri do coração:  do lado de fora a minha turma agrupada gritando Halloween...

Não deu outra...

Entrei em PÂNICO: gritei, pulei, chorei, andei em círculos e formei um buraco no meio da sala. Tapei o buraco, respirei fundo e sai correndo feito louca, com uma vassoura na mão, atrás dos meus amigos engraçadinhos...

domingo, 21 de outubro de 2012

Depoimento sobre leitura e escrita

Olá, sou a professora Solange e atuo na disciplina de Ciências com formação específica em Matemática e Física. Às vezes, me vejo um pouco cansada nessa rotina de trabalho pois já estou lecionando há 27 anos. Porém tive que fazer uma operação de urgência da vesícula e nos quase 90 dias parados devido à licença saúde tive alguns momentos de depressão, me sentia inútil. Voltei a trabalhar e como tenho jornada integral, é árdua minha tarefa. Mas é na escola que tenho espaço para aprimorar meus conhecimentos, me sentir útil, pesquiso, troco ideias e percebo que o meu trabalho nunca está terminado e que tenho muito ainda a contribuir, pois todo dia é um recomeço.

Depoimento sobre leitura e escrita
Lembro-me quando criança que não havia muito incentivo a leitura, pois fazíamos parte de uma criação de muitos filhos criados sem pai, onde a mãe saía de madrugada e voltava ao final da tarde da roça cansada com um sorriso no rosto e um beijo caloroso. Ficávamos então com a Vó que era analfabeta e a tia que parece não ter dado prosseguimento aos estudos e casou-se cedo. Mas, pelo menos minha mãe teve a iniciativa de mandar-nos para a escola e assim cobrava-nos as tarefas feitas. E o medo e o respeito eram tanto que tentávamos fazer o melhor. Como havia muito concurso de redação, às vezes conseguia me destacar e foi em um desses concursos com o tema Hidrelétrico, que ganhei meu primeiro livro no curso primário que tinha o título de Tistu, o Menino do Dedo Verde. Era uma leitura apaixonante, mágica, pois aquele menino onde apontava o dedo tudo virava flores. Lembro-me ainda, que eu o escondia debaixo do colchão para que ninguém o pegasse e havia umas goteiras no telhado e dessa maneira eu também o protegia. Depois tomei gosto pela leitura, assim tornei-me na época colecionadora de Histórias em Quadrinhos do mundo mágico da Walt Disney e revistas Sabrina entre outras com seus romances. Hoje, não sou uma devoradora de livros, mas quando é possível eu os leio. Gosto de ler livros, muitos artigos, revistas variadas, letras de músicas e às vezes escrevo bobageiras, arquivando-as ou jogando direto para o lixo. Recomendo o livro que gosto que é Justino - O Retirante, de Odette de Barros Mott, da editora Brasiliense-Mec.




"Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende." Leonardo da Vinci



Poder da leitura


Sonhos da leitura


Sábias palavras


Apresentação do grupo

Rodrigo dos Santos Marcelino, 
Tenho 27 anos e leciono história desde de fevereiro de 2012, para o ensino fundamental 2. Terminei minha graduação em história ao final de 2011, na Universidade Nove de julho. Estou muito feliz em poder trabalhar na educação e penso que mesmo com todas as dificuldades que nós já conhecemos, acho que a educação em nosso país ainda tem salvação.

Nesse sentido, quero fazer parte desse projeto de tentar melhorar a educação em nosso país para que futuramente possamos ter cidadãos mais conscientes, sei que é um trabalho ardo-o, porém, estou disposto a enfrentá-lo com muito prazer e perseverança. 

Apresentação do Grupo

Zuleica Ramos Tani

"A vida é bonita e é bonita". Começo a minha apresentação cantando Gonzaguinha. É assim que sou. A vida é um presente que recebi e, por isso todo o instante é um presente. Presente este que está chegando aos 50 anos com muita alegria. Sou capricorniana: teimosa, persistente, realizadora, sonhadora e confiante. Sou professora desde 2000. Primeiro com cursos técnicos e, atualmente, no Ensino Fundamental II, na área Língua Portuguesa. Adoro ler e escrever, Matemática só se for com a calculadora e ainda é capaz de eu errar.... 

Sonhar é lindo, poder realizar melhor ainda, por isso estamos aqui: para realizar mais uma etapa do nosso sonho de aprender e ensinar.

Agradeço a este grupo maravilhoso por este trabalho de equipe.

sábado, 20 de outubro de 2012

Como comecei no mundo da leitura

Particularmente nunca fui um exemplo de estudante, era bagunceiro, desorganizado e as vezes não realizava as tarefas de casa, principalmente na disciplina de língua portuguesa que tanto tinha dificuldades, afinal, sou filho de portuguesa, minha mãe me ensinava o português de portugal e na escola aprendia o português brasileiro, era um nó na minha cabeça. Além de ter o famoso problema do “cebolinha da turma da mônica”, é... eu trocava o r pelo l, imaginem como era complicado, isso só melhorou na 5ª série.

Não era fácil minha vida de estudante, a partir da 5ª série até o último ano do colegial ocorreram tantas coisas que só me fizeram “detestar” a leitura e a escrita. Não realizava as atividades por pura preguiça em escrever os temas livres ou resumos de livros que dificilmente eram lidos, ficando muitas vezes com nota vermelha.

Demorei pra adquirir o hábito da leitura e escrita, e principalmente o gosto de ler, foi entre os meus 24 a 25 anos que se deu na minha vida a iniciação no prazer em ler. Por problemas de saúde fui obrigado ficar atrelado um ano na cama, após muita TV, rádio, game já não aquentava mais... Ah, nesta época ainda não havia internet no país e nem celular. Qual foi a solução para combater o tédio, a leitura, foi difícil, uma página por vez, o dicionário sempre ao lado,  livros pequenos com poucas páginas e bem finos.

 Até que me tornei um viciado em livros, hoje leio entorno de 15 a 20 livros por ano, lembrando que não é mais os fininhos, rsrs... Gosto muito de história, religioso, filosofia, ficção e o que cair em minhas mãos, estou lendo. Hoje paro e penso, como foi bom ter ficado naquela cama tanto tempo, um mundo novo e replete de oportunidade se abriu para mim, posso afirmar que cresci em todos os aspectos como pessoa.
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