Este blog faz parte das atividades do PROGRAMA PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA NA CONTEMPORANEIDADE – 2012, oferecido pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Os colaboradores do blog são professores que participam desse curso e que têm a intenção de “juntos” difundir à outros, o gosto pela leitura.

domingo, 4 de novembro de 2012

Construção de Crônicas

Caro leitores, os textos a seguir, são crônicas fictícias
e fazem parte da atividade proposta pelo curso: 
“Programa Práticas de Leitura e Escrita na Contemporaneidade”
2ª edição/2012.


Cada aluno tem por finalidade a construção de uma crônica com objetivos bem determinados em sua produção, com elementos constituintes do respectivo gênero textual. Os textos foram dispostos por ordem de publicação; vejamos agora o estilo de cada cursista:




Um cadáver na minha porta.

Acordei com o despertador, lavei o rosto e ouvi a campainha.
Espere aí! Morto não toca campainha... Quem será que tocou? Ou o morto morreu naquela hora, ali, coladinho na minha porta?
Ai, ai... Mas voltando a retrospectiva...
Atendi a porta. Vi o defunto e... Entrei em PÂNICO: gritei, pulei, chorei, andei em círculos e formei um buraco no meio da sala. Tapei o buraco, respirei fundo, me acalmei e fiz a única coisa lógica até então: chamei a polícia. Acho que tudo isso demorou uns... 500 minutos, mais ou menos...
Bem, o jeito é esperar... Acho que vou tomar um banho... O morto não vai sair de lá mesmo...
Ah... Olha a sirene da polícia. Vou abrir a porta e...
Quase morri do coração: do lado de fora a minha turma agrupada gritando Halloween...
Não deu outra...
Entrei em PÂNICO: gritei, pulei, chorei, andei em círculos e formei um buraco no meio da sala. Tapei o buraco, respirei fundo e sai correndo feito louca, com uma vassoura na mão, atrás dos meus amigos engraçadinhos...
Por Zuleica Tani


Rotina.

Acordara mais cedo naquele dia, antes mesmo do relógio despertar. Ficara alguns minutos deitada, olhando os números do relógio mudar até que resolveu levantar-se. Como de costume, foi ao banheiro lavar o rosto e escovar os dentes.
Foi nesse momento que ouviu a campainha da porta tocar. Quem seria àquela hora da manhã? Tão cedo! Caminhou até a porta e perguntou quem era. Não houve resposta. Olhou pelo olho mágico e não enxergou ninguém. Deve ter sido uma das crianças do apartamento vizinho, só “de farra”, pensou. Resolveu abrir a porta e levou um susto: havia um homem caído no tapete da entrada. Estava de terno, limpo, parecia ser pessoa de bem. Resolveu checar a pulsação, não havia nenhuma e o corpo parecia enrijecido. Se estiver assim, a morte deveria ter ocorrido há algum tempo. Ficou em pânico, sem saber o que fazer. Como uma coisa dessas estava acontecendo com ela, uma pessoa metódica e perfeccionista, que valorizava tanto a rotina? Foi a passos bambos, cambaleando até o telefone. Discou 190. Jamais imaginou que um dia discaria esse número. Uma voz impessoal atendeu. Sem saber como começar o chamado, perguntou quem estava falando. Que idiota isso agora não tem importância! Resolveu ir direto ao assunto: “acabei de encontrar um homem morto na porta do meu apartamento e não sei o que fazer...” O policial perguntou se era alguma brincadeira de mau gosto, ao que ela respondeu que não era uma pessoa desse tipo, que brinca com coisa séria. O policial pediu então a identificação e o endereço dela, informou que estava enviando uma viatura e desligou. Ainda com o fone na mão, deu uma olhada na direção da porta e levou um susto: o homem estava de barriga para cima e ela tinha quase certeza de que, quando abrira a porta, ele estava de bruços. Um arrepio percorreu a sua espinha. O que seria aquilo tudo, meu Deus?! Sentou-se na poltrona para esperar pela polícia sem desgrudar os olhos da porta. Estava suando frio e o coração palpitava. Respirou fundo e tentou se acalmar, não deu certo. Olhou para o relógio da parede: seis e vinte da manhã. Ouviu o barulho do elevador e levantou-se. Foi até a porta, escutou alguns passos e novamente o barulho da porta do elevador. Seria possível alguém passar pelo cadáver e entrar no elevador sem notá-lo?

Voltou a sentar-se. Mais dez minutos e novamente o barulho do elevador e de passos, dessa vez vinham na sua direção. Um homem uniformizado parou em frente a porta e chamou-a pelo nome: “Senhora Lúcia?”. Ela fez um gesto afirmativo com a cabeça. Os cabelos compridos balançaram também. Ficaram, por alguns instantes, se olhando fixamente. Ela então explicou o que havia acontecido e pulou, de propósito, a parte sobre a posição do corpo. O policial examinou o homem e constatou, na mão do morto, uma nota de dólar amassada. Era a mesma situação do crime cometido no mês anterior e que a investigação provou ser queima de arquivo. Retirou o telefone do bolso e passou algumas instruções para a retirada do cadáver. Quando desligou, pulou por cima do cadáver em direção à Lúcia. Ela já nem lembrava mais do morto. O cheiro da loção de barba daquele homem era inebriante, delicioso e os olhos, meu Deus!...

Parecia que ela causava a mesma boa impressão nele, que não retirava os olhos (lindos) dela. Ofereceu a ele uma xícara de café e começaram a conversar. O tempo passou e eles nem perceberam. Quando o telefone dele tocou, chamando-o de volta à delegacia, ela o acompanhou até a porta. Os dois nem se deram conta de que o corpo já não estava mais lá, se despediram e ele foi embora, com o telefone de Lúcia anotado em sua agenda e o coração carregado de sonhos. Para Lúcia, um dia que parecia ter sido um verdadeiro horror, prometia coisas muito boas...
Por Tatiana Monti


Alô, em que posso ajudar?

Abre os olhos, consulta o relógio de cabeceira são 8 da manhã, hora de levantar. Levanta-se e vai ao banheiro, escova os dentes, lava o rosto, ouve a campainha.

Quem será a está hora?  Será cobrança, será testemunha de Jeová, ou será meu cunhado aquele folgado? Caminha até a porta, olha na fechadura, abre a porta, vê um homem caído.  Corre o olhar em torno, constata que não há mais ninguém no corredor. Abaixa-se, toca o homem com os dedos, sente que o corpo está frio e rígido, percebe que é um cadáver, corre para o telefone e disca o número da central da polícia. No entanto, ele não sabia que precisaria de muita paciência para que mandassem um policial verificar a ocorrência. Alô! Bom dia, em que posso ajudar? Alô, aqui é Manoel, tem um cadáver em minha porta. Como? Um cadáver! E como ele esta? Morto. E como o senhor sabe? Porque ele está frio e rígido. Tudo bem, me passa seu endereço, por favor. O endereço é... Tutututututututututu caiu à linha. Manoel liga novamente: Alô, em que posso ajudar? Aqui é o Manoel, tem um cadáver em minha porta. E como ele esta? Morto. Como o senhor sabe? Porque ele está frio e rígido. Tudo bem, me passa o endereço do senhor, então. Meu endereço é Rua Antônio...

Tutututututututututu. Mais Uma vez cai a linha. E novamente, Manoel tenta ligar para a polícia, e isso se repetiu por mais umas dez vezes, até que ele se enfezou de vez: Alô, em que posso ajudar? Vai se lascar, estou tentando falar que tem uma “porra” de cadáver na minha porta há horas, e você não vem aqui retirá-lo, parece atendente de telemarketing, que quando queremos cancelar algo, leva horas para nos atender. Eu tenho que trabalhar. Já estou cansando de responder a mesma coisa sempre. Agora sabe o que você faz seu “corno”? Liga ai à televisão e vê onde tem um corpo perdido.


Minutos depois, sai à notícia em todos os noticiários de televisão:

 CORPO É ENCONTRADO NA PORTA DA DELEGACIA COM UM ANÚNCIO: “ESTOU MORTO, E QUERIA SABER SE ALGUÉM PODE ME AJUDAR”?
Por Rodrigo


O cadáver e a casca de banana.

A manhã estava quente e aquele jovem adormeceu em cima de muitos livros em sua escrivaninha. Acordou assustado com o barulho do despertador e bem sonolento, foi ao banheiro escovar os dentes, passou uma ligeira água em seu rosto. Foi até a cozinha e sem coragem para fazer um cafezinho, restou-lhe como opção tomar café requentado, pois estava morto de cansaço de tanto estudar. Pegou sua mochila, observou o relógio, percebeu que estava um pouco atrasado. Destrancou a porta e ao abri-la, leva um grande susto. Ficou branco, pálido, o coração disparado, começou a tremer e sem entender, olhou incrédulo aquele homem deitado bem próximo de sua porta, de expressão fria, olhar parado em cima de seu rosto. Perguntou-lhe então:
– O senhor está bem? Como ninguém responde, resolveu tocá-lo e, ao sentir o corpo daquele homem frio começou a gritar. O grito chamou a atenção de seus vizinhos que resolveram ver o que estava acontecendo. Entrou novamente em seu apartamento e ligou para a polícia. E todos perguntavam o que havia acontecido. Ao sair, não sabia responder. Constrangido, meio atrapalhado, lembrou que tinha que dar um jeito de sair dali rapidamente, pois sua prova começava em 10 minutos e ainda tinha que pegar um ônibus para chegar ao colégio. Não podia esperar a chegada da polícia, afinal tinha exames em outras duas matérias e apesar de sentir muita compaixão por aquele homem, nada mais podia fazer para ajudá-lo. Resolveu então sair de fininho para que ninguém achasse que o culpado fosse ele, afinal só conheceu aquele homem naquele momento, nada sabia dele, nem muito menos como foi parar em sua porta. Resolveu então correr e sem perceber escorregou em uma casca de banana, machucando o cotovelo e a perna. Sentido fortes dores a polícia chega e o interroga, não podendo mais fugir daquela situação. Apesar de muito assustado, ficou chateado, porque perdeu a oportunidade de fazer sua prova. É conduzida a delegacia para maiores esclarecimentos, pois pensavam que estava fugindo. Coitado. Que manhã difícil.
Por Solange Bomfim


O perigo de ajudar.

Após uma noite de insônia, Antonio abre seus olhos depois de um pequeno cochilo, verifica as horas no relógio de cabeceira e decide levantar-se, afinal já eram seis da manhã duma segunda-feira e tinha que trabalhar, segue rumo ao banheiro, olhando-se ao espelho reparando nas suas olheiras de uma noite mal dormida. Ele escova os dentes e lava o rosto.


Neste momento a campainha é tocada insistentemente, ele pega a toalha de rosto e segue rumo à porta, ao mesmo tempo a campainha silenciou-se, olha pelo visor da porta e não vê ninguém, passa a mão na tranca e a destrava, abrindo-a leva um susto, um homem caído de bruços em sua soleira, rapidamente dá uma olhada para os lados e constata que não há ninguém no corredor do andar. Abaixa-se é toca o homem, descobre que é seu vizinho da esquerda, o senhor José Almeida e sente um molhado em sua mão direita, quando a vê, ela está completamente vermelha, era sangue. O seu José Almeida estava esfaqueado no abdômen, Antonio retira a faca do corpo e a deixa cair ao chão, sem poder fazer mais nada para ajudar o seu vizinho, pois este já era um cadáver. Antonio levanta e limpa a mão ensanguentada na toalha de rosto, corre para o telefone e disca para a central da polícia, após duas horas de muita confusão.


Antonio Matta estava sentado na frente do delegado, sendo acusado de assassinato.
Por Sidnei Ornellas

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