Este blog faz parte das atividades do PROGRAMA PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA NA CONTEMPORANEIDADE – 2012, oferecido pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Os colaboradores do blog são professores que participam desse curso e que têm a intenção de “juntos” difundir à outros, o gosto pela leitura.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Crônicas: Alô, em que posso ajudar?

Abre os olhos, consulta o relógio de cabeceira são 8 da manhã, hora de levantar. Levanta-se e vai ao banheiro, escova os dentes, lava o rosto, ouve a campainha. Quem será a está hora?  Será cobrança, será testemunha de Jeová, ou será meu cunhado aquele folgado? Caminha até a porta, olha na fechadura, abre a porta, vê um homem caído.  Corre o olhar em torno, constata que não há mais ninguém no corredor. Abaixa-se, toca o homem com os dedos, sente que o corpo esta frio e rígido, percebe que é um cadáver, corre para o telefone e disca o número da central da polícia. No entanto, ele não sabia que precisaria de muita paciência para que mandassem um policial verificar a ocorrência. Alô! Bom dia, em que posso ajudar? Alô, aqui é Manoel, tem um cadáver em minha porta. Como? Um cadáver! E como ele esta? Morto. E como o senhor sabe? Porque ele está frio e rígido. Tudo bem, me passa seu endereço, por favor. O endereço é... Tututututututu caiu a linha.
Manoel liga novamente: Alô, em que posso ajudar? Aqui é o Manoel, tem um cadáver em minha porta. E como ele esta? Morto. Como o senhor sabe? Porque ele está frio e rígido. Tudo bem, me passa o endereço do senhor, então. Meu endereço é Rua Antônio... Tututututututu.
Mais Uma vez cai a linha. E novamente, Manoel tenta ligar para a polícia, e isso se repetiu por mais umas dez vezes, até que ele se enfezou de vez: Alô, em que posso ajudar? Vai se lascar, estou tentando falar que tem uma “porra” de cadáver na minha porta há horas, e você não vem aqui retirá-lo, parece atendente de telemarketing, que quando queremos cancelar algo, leva horas para nos atender. Eu tenho que trabalhar. Já estou cansando de responder a mesma coisa sempre. Agora sabe o que você faz seu “corno”? Liga ai à televisão e vê onde tem um corpo perdido.
Minutos depois, sai à notícia em todos os noticiários de televisão:

CORPO É ENCONTRADO NA PORTA DA DELEGACIA COM UM ANÚNCIO: “ESTOU MORTO, E QUERIA SABER SE ALGUÉM PODE ME AJUDAR”?

Um comentário:

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